Álcool - Combustível do presente e do futuro
A contínua busca por um padrão de desenvolvimento mais sustentável, preservando o meio ambiente, ao mesmo tempo gerando emprego e um melhor padrão de vida para o homem, está se traduzindo em importante oportunidade internacional para o setor sucroalcooleiro brasileiro. A utilização de combustíveis renováveis, que reduzem a emissão de gases que causam o efeito estufa e diminuem a emissão de outros poluentes, tem apresentado um desenvolvimento muito grande no Brasil e vem despertando crescente interesse em outras nações do mundo. E a busca pelas energias alternativas não ocorre apenas por uma eventual crise da oferta de petróleo, mas sim por um problema global: a influência da atividade humana na saúde do planeta que obrigou os governos de diversos países a criarem mecanismos de mitigação das suas causas. Assim surgiram o Protocolo de Kyoto e as metas de implantação de fontes alternativas, sobretudo nos países desenvolvidos.
Entre os combustíveis renováveis o grande destaque, sem dúvida alguma, é o álcool brasileiro.
As vantagens da utilização do álcool como combustível, puro na forma hidratada ou em mistura à gasolina na forma anidra, são inúmeras: emite aproximadamente 20% menos CO2 que os combustíveis fósseis, considerando toda a cadeia produtiva; para casa unidade de energia consumida na produção de cana e álcool há a geração média de 9 unidades de energia renovável; substitui o chumbo tetra-etila e o MTBE, que poluem o meio ambiente como oxigenantes na gasolina; e proporciona um novo canal de geração de energia por meio da queima do bagaço. Apenas em São Paulo, com as 38 usinas que já vendem energia à distribuidora que atende grande parte do interior do estado, cerca de 400 MW são gerados, “ o equivalente à metade de um reator nuclear” segundo o físico José Goldemberg, secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.
Muitos países estão desenvolvendo programas de adição de álcool à sua base energética, buscando auferir os benefícios sociais, ambientais e econômicos dos combustíveis renováveis. Os EUA já misturam 6,9 bilhões de litros de álcool à gasolina e, caso venham a substituir todo o MTBE, a demanda deverá chegar a 18,2 bilhões de litros/ano. A produção deverá atingir 8,7 bilhões de litros/ano em 2004 e está crescendo rapidamente, em grande parte devido a reserva de mercado e subsídios à produção.
Já no velho continente, a União Européia adotou uma Diretiva que promove o uso de biocombustíveis, e assumiu duas metas: 2% de mistura nos combustíveis em 2005, e 5,75% em 2.010. Essa Diretiva pode gerar uma demanda de 2,9 e 8,4 bilhões de litros de álcool em cada uma de suas fases.
O Japão possui legislação que permite a mistura de álcool à gasolina em até 3%, mas não é compulsória. O desenvolvimento do mercado local de biocombustíveis pode gerar uma demanda de até 11,5 bilhões de litros/ano de álcool, para mistura na gasolina e no diesel. A China possui meta de diminuir a poluição até as olimpíadas de 2008, e o álcool é um importante instrumento para consecução desse objetivo. Atualmente a produção anual soma 3,1 bilhões de litros (3º maior produtor mundial) e os chineses estão aumentando a sua capacidade instalada em 1,2 bilhões de litros/ano.
Além desses países, a Coréia do Sul, a Austrália, a Índia e a Colômbia têm projetos para a adição de álcool à sua base de combustíveis.
O Brasil tem uma larga experiência na utilização desse combustível, já que toda a gasolina vendida no País tem entre 20 e 25% de álcool e, há mais de duas décadas, uma expressiva frota de veículos roda exclusivamente com álcool hidratado. A maior novidade, entretanto, é o veículo com sistema Flex Fuel de injeção de combustível, que permite rodar com uma mistura de álcool e gasolina em qualquer proporção. O amadurecimento, aliado à existência de um forte mercado consumidor, faz do Brasil o maior e mais competitivo produtor mundial de álcool. Porém, o volume exportado ainda é pequeno comparativamente à produção total, situando-se ao redor de 5%. O Brasil produz mais de 14 bilhões de litros de álcool, e exporta cerca de 700 milhões de litros.
A capacidade de expansão da produção de álcool no Brasil não é encontrada em nenhum outro país, tornando-o um fornecedor confiável em que pode atender ao aumento futuro da demanda mundial. Atualmente, 60 mil produtores cultivam cana-de-açúcar no País, numa área de aproximadamente 5 milhões de hectares, com cerca de 50% de cana processada destinada à produção de álcool, e os outros 50% para o açúcar. Não obstante, ainda há a possibilidade de ocupar parte dos 90 milhões de hectares do cerrado sem derrubar uma única árvore da floresta amazônica. A flexibilidade na produção e a capacidade de investimento é garantida por cerca de 324 usinas que produzem açúcar e álcool no País, todas de capital privado.
Apesar de todas as vantagens, o mercado mundial de álcool ainda é incipiente. Há um tradicional e consolidado mercado para fins industriais (químico, farmacêutico e bebidas) mas, além de limitado, tem poucas perspectivas de crescimento. A produção mundial de álcool está crescendo e atingiu 31 bilhões de litros em 2002, mas apenas 3,3 bilhões de litros são transacionados internacionalmente.
Esse mercado de combustíveis renováveis se desenvolverá na medida que houver uma maior conscientização sobre os benefícios de sua utilização e os macros regulatórios forem definidos. O Brasil ocupa posição privilegiada no mundo para se tornar um fornecedor global de álcool de elevada qualidade a preços competitivos.
Vários grupos empresariais brasileiros produtores de álcool desfrutam de credibilidade internacional pela elevada performance que detém no mercado mundial de açúcar, e têm condições de oferecer todas as garantias formais exigíveis em contratos comerciais de longo prazo. Sendo o Brasil o principal fornecedor mundial de açúcar e com o álcool sendo produzido por essa mesma cadeia de produção, ficam afastadas quaisquer dúvidas sobre a excelência na performance dos produtores brasileiros em abastecer também o mercado de álcool em escala mundial.
Em um mundo onde as fronteiras estão cada vez mais próximas, a competitividade do álcool frente aos combustíveis tradicionais de origem fóssil aumenta significativamente as possibilidades de intercâmbio comercial e tecnológico, e se transforma num dos mais importantes negócios da agroindústria de cana-de-açúcar neste século.

Fonte: João Guilherme Sabino Ometto ( Vice Pres. Usina São Martinho-SP ) - Guia Internacional do Álcool - PROCANA


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